quinta-feira, 10 de maio de 2012

A GENTE SE ACHA TANTO.... ver nosso planetinha girando fragilmente no espaço como uma folha ao vento pode nos ajudar a redimensionar nossa grandeza.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O BOBO DA CORTE

ESTE É UM INÍCIO DE UMA SAGA, A SAGA HUMANA QUE FOI CRIADA PELOS "DEUSES" PARA PODER DAR SENTIDO A VIDA DELES, CONVIDO MARCUS E H ELI PARA ESCREVERMOS A SEIS MÃOS OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS. aO MEU VER DARÁ UM GRANDE BESTSELLER E UM FILMAÇO RSRSR RSRSRSR



SER HUMANO
ALEGRIA DOS “DEUSES”

O saguão era enorme, a luminosidade fosca dava a impressão de uma atmosfera surrealista. Ao derredor do amplo platô esférico circundavam sete arquibancadas feitas de um material incorruptível, muito confortáveis, onde os espectadores se acomodavam anatomicamente e tinham uma visão panorâmica do platô.
Os espectadores estavam saciados, saudáveis, e apreciavam o desenrolar da apresentação que se desenvolvia no platô. Tudo era apresentado em três dimensões, as cores eram fielmente reproduzidas, a sonoridade era excelente.
Os espectadores eram pessoas realizadas. Viviam milhares de anos como os conhecemos, sua reprodução era programada, dominavam a ciência e a tecnologia acumulada durante milhões de anos. Podiam destruir uma galáxia num piscar de olhos, podiam manipular os astros para propiciar a formação de planetas habitáveis. Eles eram a nata da civilização, haviam exterminados todos os opositores que apresentavam alguma possibilidade de vencê-los. Eram os donos do universo. Tanto conhecimento, tanta tecnologia, tanta vida interminável, tantos prazeres que foram ficando sem sentido, tantas emoções que foram perdidas visto que para eles nada mais causava admiração, nada mais era surpresa pois, tudo podiam prever em se tratando do seu planeta e das estrelas do universo. Eram deuses? Não, apenas pessoas, conscientes e racionais que atingiram o ápice do conhecimento que os levaram à quase imortalidade e à capacidade de clonar vidas, de criar vidas. Eram muitos, por isto viviam, em diversos planetas.
Em cada nebulosa havia um planeta onde eles se instalavam e podiam se teletransportar para qualquer um deles em questão de segundos, se comunicavam diuturnamente e em tempo real tanto por sua desenvolvida telepatia tanto por seus equipamentos de comunicação visual. Não trabalhavam a não ser estudando, e aprendendo o que fosse ainda desconhecido de alguns, se atualizando e administrando o universo sem desgastes físicos, a própria vontade deles já acionava mecanismos que faziam com que a ação desejada fosse concretizada. Não havia mais animosidades entre eles, não havia disputa por nada, não havia desejos, não havia emoção.
O atores que apareciam no platô eram um tanto parecidos com eles, embora sem as facilidades que as capacidades mentais e intelectuais que eles possuíam, propiciavam. Eram animais comparados a eles, assim como nós vemos os macacos mais parecidos com a gente como sendo a nossa semelhança. Eles possuíam emoções das mais diversas assim como ódio, ciúmes, raiva, amor, apego, saudades, tristezas, alegrias, angústias; sentiam dor, impingiam dor, choravam, gritavam, agrediam, eram agredidos, dominavam uns aos outros e eram dominados.
As imagens tridimensionais eram captadas por meio de sensores de altíssima potência colocados em pontos tão distantes que os atores não tinham a menor condição tecnológica de percebê-los. Assim viviam suas vidas sem terem qualquer noção do monitoramento externo que tudo percebia.
Os espectadores conheciam o processo de geração de vida tanto dos planetas e o colocava em prática de acordo com seus interesses. Um pequeno grupo de 12 espectadores cansados e entediados de tanto ficarem observando animais gigantescos em plantes gigantescos resolveram inovar. A ideia que prevaleceu era a seguinte: criação de um planeta pequeno onde a vida gerada seria algo similar aos próprios espectadores, não clones, mas novos seres vivos similares, biologicamente, ao que eles mesmos foram a muitos milhões de anos passados, desta forma eles poderiam, por meio dos novos primatas, relembrarem de si mesmos no início de suas jornadas e assim poderem valorizar mais o status que ora desfrutavam.
Não foi difícil, em cerca de uma semana como é por nós conhecida, moldaram um planeta e nele provocaram a existência dos elementos químicos necessários para a geração da vida que tinham em mente. O posicionamento do planeta também foi calculado e se chegou a conclusão de que deveria ser o quarto planeta de um sistema solar que não tivesse uma estrela muito grande ou muito irradiante em termos de radiações letais. Isto feito afastaram o excesso de vapores que cobriam o planeta, vapores estes decorrentes do processo inicial da construção. A remoção foi um tanto dramática e brusca e os seres vivos que começavam a surgir naquele ambiente inóspito para o tipo de vida que desejavam registraram esse fato em sua memória coletiva.
De acordo com o planejamento poucos milhões de anos depois surgiram os tão esperados primatas, entranhados na conjuntura do planeta, dele sendo os frutos. As fêmeas, peludas se assemelhavam a um tipo de símio, não eram atraentes aos olhos dos espectadores, mas eles não tinham pressa, afinal tinham todo o tempo do mundo. Outros milhões de anos se passaram e os primatas foram se tornando um pouco mais similares ao perfil físico dos espectadores. Já seria possível até mesmo um cruzamento sexual entre eles e os espectadores.
Entretanto, caso isso ocorresse teria, mesmo para os quase imortais, uma incógnita o resultado genético, os filhos desse relacionamento, por isso ficou determinado que isto não poderia acontecer. Os doze espectadores, responsáveis por esse núcleo do universo, se dividiam em machos e fêmeas, mas suas sexualidades estavam adormecidas visto que a reprodução não utilizava mais o contato físico e seus corpos, pouco material, não atraíam em termos de beleza. O machos, quando viram as fêmeas que surgiam no planeta se ouriçaram. A princípio elas eram por demais desengonçadas e feias no padrão que se referia aos espectadores, mas com o passar das gerações elas foram ficando mais delgadas e isto foi ativando a memória adormecida dos machos espectadores que não resistiram e desceram até a superfície do planeta e tiveram relações com as fêmeas que foram facilmente dominadas apenas com seus olhares hipnóticos.
As consequências não tardaram. Tão poucos, seis apenas, engravidaram centenas. Meses depois os problemas começaram. Muitas fêmeas morreram porque não conseguiram parir suas crias que eram grandes demais para a sua capacidade biológica, outros nasceram mortos, outros viveram e apresentaram as mais diversas formas assim como formas de animais como o touro, cavalo etc. Poucos nasceram mais ou menos parecidos com espectadores. Uns nasceram peludos, outros com poucos pelos, uns pequenos demais, outros grandes demais. Uns claros, outros escuros, outros amarelos, outros azuis. Alguns cresceram demais e se tornaram perigosos para os nativos que se uniram para tentar destruí-los, mas não estavam tendo muito sucesso e os 12 “deuses” precisaram intervir alterando alguns fetos, geneticamente para que nascessem mais fortes e com mais massa cefálica, com capacidade então de, usando a artimanha e a força, derrotar os monstros gerados pelo acasalamento do “deuses” com as mulheres do planeta. Essa intervenção foi feita não por vontade dos doze deuses, mas por determinação superior a eles que haviam desrespeitado a lei geral de não interferência na evolução das espécies que fossem programadas para nascer.
Essa desobediência gerou um grande desgaste com relação aos seus superiores, quer eram os administradores de todo o universo, sendo os conselhos dos 12 que estavam uniformemente distribuídos por todo o finito universo seus agentes para ações mais diretas, mas eles podiam executar ações que não interferissem nos demais setores, pro isto podiam criar planetas e se divertirem com as vidas que eram brotadas de acordo com as características que eles queriam. Afinal esta era a diversão deles.
Por muito pouco eles não acabaram com a vida no planeta. Vendo que a situação estava ficando fora de controle por causa da força imensa e da ousadia e quase invencibilidade dos monstros resultantes da relação deuses-mulheres, e embora em menor intensidade também ocorrera relações entre as deusas e alguns poucos homens que elas acharem dignos de terem contato com elas. A solução encontrada foi inundar o planeta, por isto, separaram alguns homens e mulheres e animais que já estavam um pouco domesticados, colocaram em uma embarcação que determinaram aos homens como fazer, e moveram bruscamente as placas tectônicas gerando assim maremotos que inundaram todo o planeta e produziram chuvas intensas que elevaram por semanas o nível das águas, primeiramente no oriente e depois no ocidente, assim permitiram a existência de pontos isolados que escaparam, das inundações e assim preservaram o restante das espécies animais e vegetais que, após a inundação voltaram a se multiplicar e a se alastrar pela superfície do planeta, se fixando onde as condições climáticas eram mais favoráveis.
Depois dessa destruição catastrófica, aproveitaram para se apresentarem aos sobreviventes tanto os da embarcação, como os que se amontoaram nos poucos pontos que escaparam das inundações, como sendo seu deus que tudo havia criado, inclusive eles, e os coitados acreditaram e temeram. Afinal quem podia provocar inundações como a que eles presenciaram mercê todo o medo do mundo. Agora os deuses poderiam se acomodar em seus assentos em frente ao palco esférico e começarem os jogos que tanto apreciavam. O planeta estava praticamente pronto e os atores já estavam atemorizados o suficiente. Agora teria início a apresentação da tragédia humana.
O planeta estava então com cinco grandes blocos de terra contínuas e em todos eles haviam sobreviventes humanos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

PENSAMENTOS AVULSOS

TETRAPHARMAKON (EPICURO)

NÃO SE DEVE TEMER A DEUS
NÃO SE DEVE TEMER A MORTE
A DOR PODE SER CONTROLADA
É POSSÍVEL SER FELIZ

FELIZ É AQUELE QUE DESEJA APENAS O QUE É CAPAZ DE CONSEGUIR

ANTES DE ELEVARES TEU CLAMOR POR JUSTIÇA CERTIFIQUE-SE QUE NADA A ELA DEVES


LEI DE GODOFREDO:
CUIDADO COM O QUE PEDES... POIS PODERÁS CONSEGUIR.

A VERDADE DE CADA UM SEQUER É FORMULADA DE PER SI.

NÃO FOSSE A EXISTÊNCIA DO MAL-MAU SEQUER TERÍAMOS NOÇÃO DA EXISTÊNCIA DO BEM-BOM

A VIDA CONSCIENTE DE SI MESMA NADA MAIS É QUE O FRUTO DA MORTE QUE SE MANTÉM VIVO SE ALIMENTANDO DE VIDAS

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

AQUILO QUE É... AQUELE QUE É

AQUILO QUE É

Virgilio Pereira dos Reis – 04 – 08 - 2011

AQULIO QUE É É AQUILO QUE É E SOMENTE AQUILO QUE É. CASO AQUILO QUE É TENHA CONSCIÊNCIA DE QUE É AQUILO QUE É SE TORNA ALGUÉM QUE É, MAS CONTINUA SENDO AQUILO QUE É, APENAS ACRESCIDO DA COSNCIÊNCIA DE SABER QUE É AQUILO QUE É.
UM CORAÇÃO QUE IRRIGA UM CORPO COM O SANGUE APENAS O FAZ PORQUE ELE FAZ PARTE DO CORPO (AQUILO QUE É), DA MESMA FORMA OS PÉS QUE DESLOCAM O CORPO DELE FAZEM PARTE E ASSIM TUDO O QUE COMPÕE AQUILO QUE É SÓ REALIZA ALGUMA FUNÇÃO PORQUE ESTÁ INTEGRADO AO PRÓPRIO CORPO QUE AJUDA A COMPOR.
A FORTIORI A CONSCIÊNCIA DAQUILO QUE É SOMENTE SE MANIFESTA PARA AQUILO QUE É PORQUE FAZ PARTE DAQUILO QUE É.
CONSIDERANDO QUE ALGUÉM É (AQUILO QUE É COM CONSCIÊNCIA DE SI MESMO) PODE-SE ENTENDER QUE A TRANSFORMAÇÃO DE AQUILO QUE É PARA ALGUÉM QUE É, OU SEJA, A CRIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DE SI NÃO PODE SE MANIFESTAR SEM QUE HAJA OUTROS AQUILO QUE É QUE COM ELE INTERAJA. A INTERAÇÃO GERA A CONSCIÊNCIA DE SI E DO OUTRO.
DIVERSOS AQUILO QUE É SE COMBINAM E ESSA COMBINAÇÃO GERA A CONSCIÊNCIA DO CONJUNTO DE AQUILO QUE É. A INTEREAÇÃO ENTRE OS DIVERSOS ÓRGÃOS VITAIS DO CORPO HUMANO É QUE PROPICIAM A EXISTÊNCIA DA CONSCIÊNCIA QUE TEMOS.
AQUILO QUE É RECEBE INFLUÊNCIA DE OUTRO AQUILO QUE É, ESSA INFLUÊNCIA PODERÁ SER AGRADÁVEL OU NÃO. SE AGRADÁVEL SERÁ BEM ACOLHIDA E AQUILO QUE É QUE A RECEBEU PROCURARÁ RETÊ-LA; CASO SEJA DESAGRADÁVEL ELA SERÁ REPELIDA. ESSE SENTIR É AGRADÁVEL OU NÃO PARA AQUILO QUE É E ESTÁ RELACINADO AO SOMAR OU SUBTRAIR, SE ALGO AJUDA A FORTALECER AQUILO QUE É SE TORNA AGRADÁVEL, SE VISA ENFRAQUECER, DESAGREGAR, SE LHE PARECE COMO DESAGRADÁVEL. O IMPULSO DE SOMAR É NATURAL EM TODOS OS SEMELHANTES. FORÇAS OPOSTAS PODEM SE ATRAIR, MAS OS ELEMENTOS SIMILARES TENDEM A SE UNIR. DIFICILMENTE SE VÊ POR AÍ UM ÁTOMO DE QUALQUER ELEMENTO QUÍMICO SOZINHO VAGANDO PELO ESPAÇO.
ESSA CARACTERÍSTICA NATURAL DA MATÉRIA DE UNIR SEMELHANTES É O QUE AJUDA A UNIR O QUE FORTALECE E A REPELIR OU EXPELIR O QUE ENFRAQUECE E ESSE UNIR, AGREGAR, REPELIR, EXPELIR É O QUE CRIA A CONSCIÊNIA DO CORPO, DAQUILO QUE É. AS EXPERIÊNCIAS DE ACEITAR E REJEITAR VÃO SE REPETINDO INDEFINIDAMENTE E COM ISTO AQUILO QUE É VAI RETENDO INFORMAÇÕES SOBRE OUTROS AQUILO QUE É E VAI PREPARANDO CADA VEZ MAIS, LENTAMENTE, GRADUALMENTE, MEIOS DE MELHOR APRISIONAR O QUE LHE AGRADA E MAIOR EFICIÊNCIA EM REPELIR, EXPELIR O QUE LHE DESAGRADA. ASSIM VAI SE CRIANDO UMA MEMÓRIA. QUÃO MAIOR É A MEMÓRIA FORMADA MAIOR SERÁ A CONSCIÊNCIA DAQUILO QUE É. O HOMEM E TODOS OS SERES VIVOS POSSUEM CONSCIÊNCIA DE SI, POR PEQUENA QUE SEJA. NÃO É PELO FATO DE NÃO SE COMUNICAREM NA NOSSA LINGUAGEM QUE ELES POSSUEM MEMÓRIAS INFERIORES. CADA ESPÉCIE DESENVOLVE A MEMÓRIA QUE NECESSITA EM VIRTUDE DO MEIO ONDE SE ENCONTRA E DESENVOLVE SEU CICLO VITAL.
DE QUE ADIANTARIA UMA PLANTA FALAR PORTUGUÊS, MEMORIZAR TODO O VOCABULÁRIO SE NÃO CONSEGUISSE “LEMBRAR” O PROCESSO PARA TRANSFORMAR MATÉRIA INORGÂNICA EM ORGÂNICA? ESSE PROCESSO CRIATIVO OCUPA, COM CERTEZA, UMA MEMÓRIA IMENSA PARA OS VEGETAIS.
PODERIA SE DIZER QUE ESSE PROCESSO SE EQUIVALE AO MECANISMO CORPORAL QUE PRODUZ AS CÉLULAS DISTINTAS DE CADA ÓRGÃO DE UM CORPO, A DIFERENÇA ESTÁ NO FATO DE QUE OS VEGETAIS SÃO SERES VIVOS INDEPENDENTES, SÃO INDIVÍDUOS VIVOS QUE POSSUEM ÓRGÃOS DISTINTOS TAMBÉM, LOGO TÊM TUDO PARA TEREM CONSCIÊNCIA DE SI MESMOS, SE A TEM OU NÃO TERÍAMOS QUE CONHECER MELHOR CADA UM DELES.
OU ENTÃO TEREMOS QUE ADMITIR QUE TODO SER VIVO PERTENCE A OUTRO SER VIVO, É UM ÓRGÃO DE UM SER VIVO MAIOR, QUE, NO CASO SERIA O PRÓPRIO PLANETA, QUE POR SUA VEZ SERIA UM ÓRGÃO DA GALÁXIA ETC. ENTÃO PODERÍAMOS ADMITIR A EXISTÊNCIA DE UMA CONSCIÊNCIA DA TERRA, DA GALÁXIA E UMA MAIOR DE TODO O UNIVERSO, ONDE ESTA SERIA UMA COMBINAÇÃO DE TODAS AS DEMAIS. ISTO SERIA DIVAGAÇÃO DEMAIS.
COM ISTO TEMOS QUE TUDO ESTÁ VIVO, TODOS OS AQUILO QUE É ESTÃO VIVOS, AGORA, NEM TODOS ELES POSSUEM, FORMARAM UMA CONSCIÊNCIA CAPAZ DE SABER DE SI E DOS OUTROS, SABER QUE ESTÃO VIVOS; SEREM CAPAZES DE REFLETIR SOBRE A VIDA EM SI. NESSE ASPECTO PARECE SER O HOMEM O ÚNICO SER VIVO QUE SE PREOCUPA EM AFIRMAR QUE ESTÁ VIVO, QUE IRÁ MORRER E ISTO NÃO É NENHUMA GLÓRIA OU PRIVILÉGIO, SÃO APENAS CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS PARA QUE ELE POSSA TER ATITUDES E COMPORTAMENTOS QUE I IDENTIFIQUEM COMO ELE É: SER HUMANO.
O HOMEM PRECISA DESSA CONSCIÊNCIA POSVIDA, ANTEVIDA ETC. OS DEMAIS SERES VIVOS NÃO PRECISAM DISTO, NAS SUAS TAREFAS DIÁRIAS. A ANTUREZA SOMENTE DÁ, FORNECE, POSSIBILITA EXATAMENTE O QUE CADA SER VIVO NECESSITA PARA SOBREVIVER, NADA MAIS E NADA MENOS.
EM SUMA NÃO HÁ NENHUM SER VIVO SUPERIOR OU INFERIOR A OUTRO, ASSIM COMO NÃO HÁ TRABALHADOR MAIS IMPORTANTE QUE OUTRO (EIS PORQUE DEFENDO O SALÁRIO ÚNICO), TODOS SOMOS DIFERENTES, MAS TODOS QUE EXISTEM O FAZEM PORQUE SÃO NECESSÁRIOS AO TODO. TODOS AQUELES QUE SÃO ESTÃO VIVOS EMBORA GRANDE PARTE AINDA NÃO TENHA AINDA FORMADO CONSCIÊNCIA SUFICIENTE PARA QUE ELES MESMOS POSSAM SE CARACTERIZAR COMO ALGUÉM QUE É.
NEM TUDO AQUILO QUE É PODE TER COSNCIÊNCIA DE SI. IMAGINE SE NOSSOS PULMÕES TIVESSEM CONSCIÊNCIA QUE OS TORNASSEM CAPAZES DE ESCOLHER, DE FAZER O QUE DESEJASSEM... ELES PODERIAM ENTRAR EM GREVE RSSR. A CONSCIÊNCIA SOMENTE SE FORMA QUANDO UM AGLOMERADO DE AQUILO QUE É INTERAGE COM OUTROS AQUILO QUE É.
INFERINDO, COLOCA-SE AGORA O ASPECTO REFERENTE A DEUS. SE TUDO AQUILO QUE É ESTÁ VIVO, ESTE IMENSO CORPO QUE OCUPA O UNIVERSO VAZIO (PARCIALMENTE) PROVAVELMENTE TERÁ UMA CONSCIÊNCIA DE SI E ESSA CONSCIÊNCIA PODE INTERVIR NESSE CORPO GIGANTESCO DA MESMA FORMA QUE O HOMEM CORTA AS UNHAS, OS CABELOS, APERTA UM RIM ETC. ENTRETANTO, COMO VIMOS, PARA QUE UMA CONSCIÊNICA SE FORME SERIA PRECISO A EXISTÊNCIA DE OUTROS AQUILO QUE É E NO CASO DO NOSSO UNIVERSO (COMO ENERGIA E MATÉRIA) HAVERIA ENTÃO A NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE OUTROS UNIVERSOS, FORA DO NOSSO, QUE COM ELE INTERAGISSE. NESTE CASO, A CONSCIÊNCIA QUE SE FORMARIA PODERIA SER CHAMADA DE DEUS, DA MESMA FORAM QUE A NOSSA CONSCIÊNCIA É O DEUS DO NOSSO CORPO. ISTO RESTRINGE OS ATRIBUTOS A DEUS ATRIBUÍDOS.
CONSIDERANDO QUE NÃO EXISTEM OUTROS UNIVERSOS COMO O NOSSO, DISTINTOS ENTRE SI, QUE FOSSEM APENAS UM AGLOMERADO DE AQUILO QUE É NÃO HAVERIA A POSSIBILIDADE DE HAVER A FORMAÇÃO DE UMA CONSCIÊNCIA ÚNICA. ENTRETANTO PERMANECE A POSSIBILIDADE DE SE FORMAREM INÚMERAS CONSCIÊNCIAS. A CONSCIÊNCIA DA TERRA, DA GALÁXIA, DA NEBULOSA, A CONSCIÊNCIA HUMANA.
ESTA ÚLTIMA COLOCAÇÃO ME PARECE SER A MAIS PLAUSÍVEL.
ENTÃO: TUDO ESTÁ VIVO E O UNIVERSO POSSUI INFINITAS CONSCIÊNCIAS PARTICULARES (INCLUINDO A DE CADA HOMEM, DE CADA SER VIVO). A LUTA ENTRE ESTAS CONSCIÊNCIAS NA ETERNA BUSCA DAQUILO QUE LHES FORTALECEM GERA UMA ETERNA COMPETIÇÃO QUE, POR SUA VEZ, FAZ COM QUE A VIDA SE TORNE MENOS MONÓTONA E APÁTICA. É ESSA COMPETIÇÃO QUE GERA A VONTADE DE VIVER, DE VENCER, DE VENCER ATÉ MESMO A MORTE. ESTA COMPETIÇÃO GERA A VIDA DA VIDA, É ELA QUE POSSIBILITA A EXISTÊNCIA DO DINAMISMO MACRO DOS UNIVERSOS.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

NOSSA CONSCIÊNCIA SOBRE O TEMPO

NOSSA CONSCIÊNCIA SOBRE O TEMPO
Virgilio Pereira dos Reis – jul 2011

Acordei. O alarme do telefone tocava. Apertei a tecla soneca que me daria mais dez minutos de sono. Logo em seguida o alarme tocou novamente. Dez minutos se passaram e eu não os percebi. O que houve com o tempo? Por que não o percebi passar?
Se não percebo o tempo implica dizer que sou atemporal? Que sou eterno?
Bem, mais dez minutos se passaram sem que os percebesse, entretanto neste período o sol foi se deslocando, pessoas que estavam acordadas continuaram seus afazeres, os trabalhadores continuaram seus trabalhos.
O tempo continuou existir como duração de fatos que nunca param de acontecer, tenhamos consciência deles ou não.
Mas, para aquele que dorme profundamente é como se sua consciência de si e do mundo tirasse uma folga para se recuperar e permitir que o subconsciente tivesse oportunidade de priorizar os cuidados com o lado interno do corpo.
Enquanto acordados nossa preocupação constante é com o que está fora do nosso corpo, fora de nós. A harmonia que deve haver no lado interno vai ficando descuidada e só nos damos conta dessa desarmonia quando a dor se manifesta, nos infartos, desmaios, dificuldades para ver, ouvir, andar, falar etc.
Então o sono nada mais é do que um mecanismo de defesa do corpo que separa uma parte do dia para que todos os recursos de que dispõe sejam prioritariamente empregados para manter o equilíbrio, a harmonia, o bom funcionamento entre todos os seus órgãos internos. O sono prioriza a saúde.
Enfim, podemos dizer que a duração dos fatos existem independentemente de a percebermos, e se tempo é considerado como a duração de um fato, podemos então afirmar que o tempo é externo a nós, a nossa consciência. Tenhamos ou não consciência de um fato qualquer, a duração do mesmo continuará sendo o tempo que tanto se discute.
Creio que essa polêmica sobre se o tempo é interno ou externo depende do que se entende por tempo. O tempo, grosso modo, é o sintoma que permite definir que um objeto qualquer era de certa forma, estado, etc. e agora mudou, não é mais. Esta mudança não acontece repentinamente, logo a duração que teve para se transformar é o que denominamos tempo.
Na verdade essa versão sobre o tempo ser interno decorre da megalomania humano que acreditava que a terra, centro do universo, foi criada para ser seu lar, que os animais e os vegetais foram criados para suprir suas necessidades etc. Dentro deste enfoque, o tempo que o homem reconhece é aquele que ele percebe, visto que se ele é o ponto alto da criação, o que ele não percebe ou sequer suspeita ou imagina que possa existir não existe.
Duas horas de tortura parecem uma eternidade, mas continuam sendo duas horas. Não? Ser condenado a uma eternidade ou a duas horas de torturas? A resposta é evidente não?

SER DIFERENTE

SER DIFERENTE

VIRGILIO PEREIRA DOS REIS
POSTULADO: “TODO CONGLOMERADO DE ÁTOMOS VIBRANTES, CUJA FREQUÊNCIA GLOBAL RESULTANTE SEJA NULA, NOMEAMOS COMO MATÉRIA ESTÁVEL.” QUANDO A FREQUÊNCIA RESULTANTE FICA DIFERENTE DE ZERO O MATERIAL EM QUESTÃO COMEÇA A SE TRANSFORMAR.
O UNIVERSO ENERGÉTICO, COMO UMA UNIDADE DEFINIDA, TAMBÉM TEM A SUA FREQUÊNCIA RESULTANTE NULA. A MANUTENÇÃO DESTA RESULTANTE NO PATAMAR DE EQUILÍBRIO PROVOCA, DEVIDO AO SEM NÚMERO DE CORPOS INSTÁVEIS EM SEU INTERIOR, UMA GERAÇÃO INCESSANTE DE FORÇAS QUE VISAM MANTER O NULA DA REFERÊNCIA, SEMPRE CONSTANTE. ESSA NULIDADE É UMA CARATERÍSTICA DE SUA ETERNIDADE. ELE NÃO É ETERNO PORQUE SUA RESULTANTE ENERGÉTICA É NULA, MAS SUA RESULTANTE ENERGÉTICA É NULA PORQUE ELE É ETERNO. UMA GERAÇÃO CRIA UMA CORRUPÇÃO E ESSA CORRUPÇÃO É O GERME DE UMA NOVA CRIAÇÃO QUE TRÁS EM SI A SEMENTE DA CORRUPÇÃO QUE CRIA.
O UNIVERSO ENERGÉTICO, POR SER UMA UNIDADE, É EM SUA TOTALIDADE FINAL CONSTITUÍDA, INTEIRAMENTE INSENSÍVEL À QUAISQUER MANIFESTAÇÕES EM SEU INTERIOR. NADA SE MANIFESTA SEM TER UMA CAUSA, UMA RAZÃO, OUM SEJA, UM DESEQUILÍBRIO INTERNO QUE ACARRETE UMA CONTRAFORÇA. A VIDA SE MANIFESTA APENAS NO PERÍODO EM QUE PERDURA O DESEQUILÍBRIO.
O SER HUMANO É FRUTO DESTE DESEQUILÍBRIO. NA FECUNDAÇÃO, DUAS UNIDADES DOTADAS DE INTENSA CONCENTRAÇÃO ENERGÉTICA SE UNEM E SUAS ENERGIAS TENDEM A SE SOMAR E SE COMBINAM DE MANEIRA SINERGÉTICA AMPLIANDO SEU POTENCIAL ENERGÉTICO; MAS JUNTAS, NÃO SUPORTAM A ENORME QUANTIDADE DE ENERGIA DENTRO DE SEUS LIMITES FÍSICOS, POIS NA UNIÃO, SURGE UMA PARTE DA MEMBRANA QUE NÃO POSSUI A MESMA RESISTIVIDADE, CAPAZ DE CONTER TODO O POTENCIAL INTERNO, E, POR OSMOSE, PARTÍCULAS PASSAM PARA O LADO EXTERNO NA TENTATIVA DE VEDAR E ENRIJECER A PARTE MAIS FRACA DA MEMBRANA.
AS REAÇÕES FÍSICOQUÍMICAS, TANTO AS INTERNAS COMO AS EXTERNAS, E AS CARACTERÍSTICAS GENÉTICAS, PRÓPRIAS DO POTENCIAL ENERGÉTICO FORMADO PELAS DUAS UNIDADES PRIMITIVAS, FAZEM COM QUE RUPTURAS SURJAM NAS ESTRUTURAS MAIS CONSISTENTES, PROVOCANDO UMA EXPANSÃO PROGRAMADA PELAS SUAS CARACTERÍSTICAS INTRÍNSECAS. ESTA EXPANSÃO REPRESENTA O CRESCIMENTO DE UM NOVO CORPO HUMANO.
À PARTE DESTE RACIOCÍNIO, COMO É HABITUAL, SEMPRE SE RETORNA AOS PONTOS CENTRAIS DO PENSAMENTO OBJETIVISTA QUE SÃO:
 A VIDA DE UM SER HUMANO PROSSEGUE APÓS A MORTE DO SEU CORPO FÍSICO?
 COMO SURGIU O UNIVERSO E O PRIMEIRO DESEQUILÍBRIO GERADOR DA VIDA?

VAMOS NOS ATER AO PRIMEIRO PONTO. A VIDA CESSA COM O TÉMINO DO DESEQUILÍBRIO. A UNIÃO DO ÓVULO COM O ESPERMATOZÓIDE PROVOCA O DESNIVELAMENTO INICIAL, E, A SEPULTURA, A INCINERAÇÃO OU O QUE QUER QUE SE FAÇA COM O CORPO INERTE É O MARCO FINAL DO CICLO.
O SER HUMANO, EM SUA MAIORIA, PROVOCA, POR SUA VEZ, DESEQUILÍBRIOS NAS REPRODUÇÕES, E, E, ASSIM SENDO, SE O CICLO TERMINAR COM A MORTE DO CORPO FÍSICO OS FILHOS PERPETUARÃO O DESEQUILÍBRIO INICIAL, E, PODE-SE ENTÃO DIZER QUE OS PAIS VIVEM NOS FILHOS, NOS NETOS E ASSIM SUCESSIVAMENTE.
OS FILHOS, NORMALMENTE, POSSUEM DETERMINADAS SEMELHANÇAS COM OS PAIS, MAS, COMO TAMBÉM SOMOS FILHOS, SABEMOS QUE NOSSOS PAIS NÃO VIVEM EM NÓS SENÃO PELA MANEIRA IDEOLÓGICA COM QUE NOS CRIOU, EM SUMA A IDEOLOGIA PATERNA PODER PROSSEGUIR NOS FILHOS, MAS OS PAIS, SUA CONSCIÊNCIA E IDIVIDUALIDADES NÃO SOMOS PORTANTO, UM DESEQUILÍBRIO INDIVIDUALIZADO.
DA MESMA FORMA, O CORPO PODERÁ ALIMENTAR OS PEIXES, NUTRIR AS PLANTAS E, NEM POR ISTO VIVEREMOS NAS PLANTAS OU NOS ANIMAIS. ISTO NOS LEVA A ACREDITAR QUE NOSSO CORPO FÍSICO NADA TEM A VER CONOSCO. PODE-SE ASSIM DIVIDIR O HOMEM EM DUAS PARTES DISTINTAS: A FÍSICA E A ABSTRATA. A FÍSICA É DESCARTÁVEL E A ABSTRATA DESCONHECIDA.


MANAUS 21 DE OUTUBRO DE 1987

TORTURA: UM MAL NECESSÁRIO

TORTURA: UM MAL NECESSÁRIO

Por: Virgilio Reis
Presidente Figueiredo, 14 jul 2011

Tortura segundo o dicionarista Aurélio consiste em um “Suplício ou tormento violento infligido a alguém.” Suplício, por sua significa uma “Dura punição corporal, imposta por sentença” ou também “Pena capital” e mesmo a própria “Execução dessa pena”. Entretanto tortura tem dois significados conhecidos entre o povo em geral. O primeiro se trata da violência gratuita, da covardia, onde uma pessoa se condições de defesa, sem ter feito qualquer mal a outrem, se vê vítima da gana insana de infratores das leis sociais. Neste caso se enquadram os seqüestradores, estupradores, os que mantêm pessoas em regime de escravidão etc. Este tipo de tortura é veementemente condenado quase que unanimemente por todos.
Mesmo os demais companheiros de prisão não gostam desses torturadores e, quando acontece algum levante eles são passíveis de serem executados pelos próprios presos, e, diga-se de passagem, com a omissão da segurança do presídio que sabe muito bem o que se sucederá, mas parece que essa punição a mais para este tipo de infrator faz parte de um consentimento mudo de toda a sociedade. Mesmo na TV e no rádio pode-se ouvir com uma frequência muito maior do que a desejada os comentários dos repórteres policiais que falam em alto e bom tom: ”Você vai ver o que aguarda por você na prisão seu safado, lá você vai chorar e gritar pela mamãe”.
Todos consentem que a lei é muito branda para os crimes hediondos e, pela lei da compensação, os guardas do presídio e os demais presos tratam de dar o rigor que a punição merece segundo a maioria da sociedade. Se a lei fosse mais dura de tal forma que satisfizesse o desejo de vingança da sociedade esse corretivo adicional poderia ser dispensado. Não se tem pena de morte legalizada, mas nas entrelinhas vai-se matando os aqueles criminosos que embora tendo escapado da lei oficial, não escapam da lei da prisão feita pelos criminosos e incentivada pelos guardas.
No segundo caso temos as situações que envolvem a segurança da sociedade como um todo. Um empreendimento foi assaltado por uma quadrilha. Apenas um dos assaltantes foi preso em flagrante e os demais fugiram. O aprisionado não quer delatar seus comparsas.
Um espião inimigo ou um terrorista foi capturado. Ele não quer falar.
Um combatente inimigo foi capturado em uma batalha. Ele não quer falar.
Parentes conhecem o paradeiro de um dos seus que se tornou uma pessoa nociva e perigosa para a sociedade. Eles não querem falar.
Em se tratando de colocar em segurança os membros de uma sociedade, por que a tortura seria descartada em nome dos direitos humanos? O respeito aos direitos humanos que implica em vetar inexoravelmente a tortura se contrapõe aos direitos humanos da comunidade que ficará à mercê de poucos, mas, poucos que podem afetar, lesionar e mesmo aniquilar muitos.
Os demais assaltantes farão novos assaltos, matarão; a mudez do espião poderá levar a uma enorme perda de vidas, a mudez do terrorista poderá facilitar a execução de atos terroristas fatais; a mudez do combatente poderá redundar em mortes de grande número de companheiros; o silêncio dos parentes pode resultar em mais atos criminosos fatais feitos pelo elemento foragido. É uma situação justa? Não se deve torturar estes poucos para evitar a morte de outros?
Em caso de guerra declarada (ou não) a tortura é e sempre foi uma prática rotineira. Não faz sentido que um preso se cale quando seus conhecimentos podem evitar a morte dos seus captores. É evidente que ao mesmo tempo em que reduz as mortes dos seus captores, a fala do preso poderá também levar a muitas mortes entre os companheiros do delator. Assim fica uma situação bastante definida para a guerra. O preso é torturado para falar, contar os planos dos seus companheiros, se ele falar seus companheiros pagarão com a vida e ele, muito provavelmente também será executado quando nada mais tiver de útil para dizer ao inimigo. Caso resolva sofrer e nada dizer, acabará morrendo com a dignidade dos que sabem enfrentar as adversidades por mais dolorosas que elas sejam. Não existe meio termo nesta condição.
O comparsa de assalto que delata seus cúmplices contribui para retirar de circulação elementos perigosos que colocam a vida dos outros em risco. Ele deveria falar espontaneamente, sem necessidade de tortura. O medo de ser morto pelos comparsas que ameaçam matar sua família caso ele fale quase sempre faz com que o preso não fale, e como não se pode torturá-lo, muitos outros sofrerão e morrerão nas mãos daqueles marginais até que um belo dia eles sejam também aprisionados. A maneira menos agressiva de solucionar esse impasse seria colocar a família do preso em segurança nos moldes do serviço de proteção de testemunhas para que ele então pudesse falar com menos receios. Mesmo assim se cogita de que a polícia não irá proteger a família do delator para sempre e que mais cedo ou mais tarde, ou mesmo na prisão, o falante seria assassinado. Isto tem fundamento principalmente porque a justiça, o código penal, favorece o infrator. Presídios separados por tipo de crime, um em cada estado do país, penas mais severas e cessação de regalias podem ser medidas que favoreçam o ambiente para que a fala ocorra sem grandes consequências.
No fundo a grande questão que se manifesta diz respeito à impunidade descarada da nossa legislação que trata sobre a justiça. Muitas regalias e poucos deveres. Um policial prende um bandido, no dia seguinte ele está solto, prende novamente por outro delito, na semana seguinte está novamente solto... Até quando o policial irá agüentar o sarcasmo do bandido que ri da sua cara por ele ao passar? As execuções sumárias começam a se construir na ironia dos bandidos que debocham porque sabem que não ficarão presos muito tempo.
No trânsito acontece algo similar. Um pequeno arranhão no carro e o proprietário sai com uma arma em punho e atira no outro motorista. Na maioria das vezes ele atira não pelo fato do arranhão, mas pelo desdém, pela ironia com que o outro encarou o sujeito. Não se mata por um cigarro, por um par de tênis, mas sim pela ironia, pelo deboche, pelo desacato, pelo desrespeito.
Enfim, a tortura tem seu valor, e enquanto ela não for oficializada a sociedade, como um todo, continuará a ser torturada pelos marginais das leis.