A REALIDADE DO HOMEM
Virgilio Pereira dos Reis – De 13 mai 2011-05-13 a 19-05-2011
Estamos no mundo. Vivemos. Sentimo-nos. Sentimos o outro. Somos. Estamos. E, por sabermos disto, nos autodenominamos animais racionais. Entretanto, que mundo é este em que vivemos? Ele é o fruto do nosso trabalho ou fruto da nossa imaginação? Ele é fruto dos nossos sonhos ou apenas é um mundo sem sentido. Ele é um mundo que criamos ou dele somos a criação?
Que somos criação deste mundo, excetuando os conceitos divinos que atribuem nossa origem a algo ou alguém superior, sobre-humano, não há grandes questionamentos. Viemos de algum recanto do espaço e por aqui nos adaptamos? Impossível não é, provável também não. Evoluímos a partir da combinação das energias que por aqui se concentraram? É possível. Somos uma cultura de outros seres vivos que nos colocaram por aqui para ver nossa adaptação, assim como fazemos com os animais, lhes injetando vírus e/ou bactérias e verificando nossa capacidade de resistência e capacidade de organizar o pensamento para descobrir como combatê-las? Pode ser que sim, pode ser que não. Especulações à parte visto que não podemos provar que sim nem que não são verdadeiras podemos nos restringir a dois pontos considerados os mais viáveis pela maioria: a evolução e a criação divina.
Se considerarmos a evolução como a hipótese mais provável resultará em que estamos neste mundo como seres decorrentes da geração deste planeta, fomos gerados pela terra, pelas águas, pelos ares. Por outro lado se formos considerar a criação divina resulta-nos crer que somos filhos de uma divindade que criou este mundo para a nossa acomodação durante umas curtas férias. Seja este mundo um lugar de penitência ou lugar de felicidade, seja a vida temporária ou eterna, aqui estamos neste planeta, vivendo dia a dia.
Esta consideração da existência da divindade pode levar a duas opções: somos criação da divindade ou somos seus criadores.
A única coisa que podemos afirmar genericamente, e mesmo assim desconsiderando que ainda existem restrições menores, é: “ESTAMOS AQUI E SABEMOS DISTO”.
Descartando tanto a teoria da evolução como a criação divina seja ela nossa ou dos deuses vamos nos ater a este ponto evidente: aqui estamos ou pelo menos acreditamos aqui estar. Mesmo que uma divindade tenha feito este planeta especificamente para nós ela por aqui não ficou trabalhando para mudar o mundo de acordo com as nossas necessidades, pelo contrário, o homem lutou e luta contra as forças naturais continuamente. Temos que convir que se a divindade fez este mundo para nós como um prêmio deixou muitos problemas e vetores que nos destroem. Tsunamis, terremotos, vulcões, doenças mil, tudo isto descarta a idéia de que aqui seja um paraíso destinado ao homem. Se ele foi feito para nos punir, com certeza tem tido um ótimo desempenho. A mortalidade, a dor, a angústia e o desespero grassam no mundo dos vivos e o homem lamenta desde que teve consciência de si mesmo. De qualquer forma, se nascemos para sermos punidos, é natural que reajamos ante a essa condenação da qual não temos conhecimento e nem fomos individualmente julgados.
O mundo existe. Nós existimos e estamos no mundo. Fazendo parte do mundo somos seus frutos ao mesmo tempo em que o procuramos tornar menos agressivo.
A relação mundo versus homem é interessante. O mundo segue seu curso tranquilamente, ele nos subjuga e nos leva a fazer o que podemos e pensamos querer fazer. Estamos nele e por ele somos formados. Por sua vez o homem já não tem essa segurança: ele não consegue perceber claramente o mundo em que vive. Sem clareza, sem definição, o mundo percebido pelo homem, na maioria das vezes é o resultado de uma divagação, de um sonho, de um desejo, de uma resignação, de uma revolta contra tudo o que lhe parece injusto. O mundo do homem é o resultado da formulação feita sob a influência da indignação e da impotência humana perante o desconhecido.
Vamos começar pelo mundo que nos cerca sem considerar os outros seres humanos. Temos a terra, o céu, as estrelas, as águas, a vegetação em geral, os demais animais, o relevo, os acidentes geográficos, o que se pode ou não comer ou beber. Estamos cercados do que é natural e também somos naturais. Percebemos pelos sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato, e, talvez, algum sentido eletromagnético que permita interagir com os campos eletromagnéticos de outrem ou da natureza em geral. Os sentidos são específicos, cada um com sua especialidade restringida a uma área bem definida e cada sentido humano depende do funcionamento biológico e mental de nosso organismo corporal, ou seja, cada um percebe da maneira que seu organismo permite e são as semelhanças resultantes da percepção nos diversos indivíduos que permitem que nos comuniquemos de maneira mais eficiente. A sociedade humana é fruto do que nos une embora haja muita coisa a nos separar.
Estamos no mundo e cada um o percebe ao seu modo. Separamos-nos do mundo quando nos cortam o cordão umbilical e, nesta condição, não estamos mais intrinsecamente imbricados no próprio mundo, embora ainda nele, estamos agora apartados dele e nossa relação vital de extrair coisas dele e devolver a ele os dejetos que não aproveitamos se inicia.
Iniciando pelo firmamento, pelo espaço pontilhado de astros luminosos ou não, cheio de energias perceptíveis ou ainda não por nós, nos sentimos pequeninos, um grão de areia, um ponto no espaço infinito. O que vemos no espaço sideral não é o que existe..., triste constatação. Milhares de anos luz são necessários para que a luz de uma estrela bem próxima chegue até nós, percebemos essa luz..., mas talvez a estrela que a enviou sequer exista mais. A luz do sol leva oito segundos para nos atingir logo tudo o que vemos, podemos colocar na linha do tempo considerando um retardo inicial de oito segundos considerando o sol como parâmetro.
Neste prosseguimento, tudo o que percebemos pela visão sofre um retardo decorrente da sua distância em relação a nossos olhos e em relação ao tempo em que nosso cérebro leva para decodificar e identificar o que foi percebido. Em suma, a realidade em que vivemos não existe... ela existiu, mas não existe no momento em que a percebemos, a mutabilidade lenta da realidade que nos cerca é que permite vivermos em um mundo do presente utilizando apenas as informações do passado..., isto poderá vir a ser muito perigoso.
Quem nos garante que algum meteoro gigantesco não esteja em rota de colisão com a Terra? Quem pode afirmar que alguma explosão de alguma estrela ou mesmo choques entre elas não produza uma radiação que possa vir a pulverizar nosso planeta? Quem poderá afirmar que o sol jamais emitirá radiações que sejam capazes de eliminar toda a vida por aqui?
Vivemos o presente nos valendo de informações do passado e mesmo assim nos arriscamos a projetar nossa realidade futura. Hipotecamos verdades e elas vão sendo consideradas válidas..., até que se prove o contrário... Nosso presente é difuso, incerto, porque é criado baseado em suposições, em desejos e ideias, em percepções do passado; nosso futuro é incerto porque nossa realidade presente é difusa, incerta, é passada. Hoje aqui estamos, amanhã poderemos não mais existir.
Alguns vivem bem, outros mal, outros muito mal, muitos sofrem dores atrozes, muitos gritam de dor, muitos fazem o bem ao próximo e sofrem, muitos fazem o mal ao próximo e gozam uma vida prazerosa. Os prêmios na vida não são exclusividade dos ditos bons, os bons sofrem, os maus se divertem e são saudáveis, os bons choram, os maus riem... quanta injustiça, não?
Quando se coloca os demais seres humanos numa relação de humanidade uma pequena diferença deve ser considerada: na natureza vigora a lei do mais forte, o homem é um ser natural, um animal fruto da natureza mesmo tendo sido desligado por meio do cordão umbilical (os mamíferos todos também o são). Ele não consegue escapar a essa lei. O mais forte dita as leis a seu favor, o mais forte subjuga o mais fraco. Esta é uma realidade clara, mas que por fazer parecer muito mais animalescos do que como nós mesmos nos procuramos disfarçá-la com algo que denominamos “justiça”. Criamos leis (mutáveis de acordo com a vontade do mais forte).
Assim temos uma dita democracia que eufeminiza o caráter selvagem do homem, predador, subjugador, prepotente. Parecemos ser civilizados, nossa legislação faz isto parecer verdadeiro. A imagem da mídia, a imagem pública, a imagem superficial de uma sociedade nos coloca em um patamar de civilidade quase divino. Mas nos bastidores desta mesma sociedade somos piores que qualquer outro ser vivo: somos cruéis, injustos, interesseiros, orgulhosos, gananciosos e invejosos, mas a imagem que queremos passar e passamos é a de que somos honestos, bons, amigos, cidadãos conscientes de nosso papel na sociedade que visa o bem estar comum.
Por causa desta suposta injustiça (lembrando que a justiça é uma invenção dos mais fracos) temos uma reação humana natural: para os que acreditam que um deus não tenha nos criado para sermos eternos e a morte física seja realmente o fim de um indivíduo humano fica uma angústia, um desespero, uma indignação mais contundente contra todo tipo de injustiça. Isto se dá porque se nada mais há além da vida temporal que vivemos, um desespero para tentar fazer com que esta curta vida seja a melhor possível se manifesta. Também temos casos mil de pessoas que, incapazes de conseguir pelo trabalho e labor o luxo e o prazer que pode vir a ser desfrutado nesta vida, simplesmente tomam o que deseja, se marginalizam, protagonizam a violência social.
Para os que acreditam em um deus que fez este mundo e o próprio homem da forma mais perfeita não se pode admitir que ele tenha sido injusto ao propiciar vida dura para os bons e bonança para muitos maus, dores e sofrimento e saúde e lazer para muitos maus, assim a eternidade da alma (invenção humana assim como tudo o que com ele se relaciona) passou a ser considerada.
A eternidade funciona como um mecanismo de defesa do sujeito; o que importa uma vida de dor e sofrimento durante toda uma curta existência em comparação com uma eternidade de prazer e regozijo? Resta então a dúvida; o homem criou deus e a eternidade para poder suportar o medo da morte e a injustiça? Deus criou o homem e este criou o paraíso para justificar tanta dor e injustiça? O homem, não suportando tanta dor, medo, angústia e sofrimento criou um deus para lhe consolar e, posteriormente, não aceitando um deus injusto criou a idéia de paraíso para evitar o destronamento do deus justo e perfeito que idealizou?
Comparando as duas situações, a dos que crêem em um deus e a dos que não, a ação positiva dos descrentes, historicamente tem levado a convivência social a reduzir as desigualdades. Os crentes deveriam induzir mais tranqüilidade, paz neste mundo... mas é isto o que acontece? Os descrentes querem mudanças já... os crentes não tem pressa... as mudanças levam a outras realidades, não se podendo afirmar melhores ou piores, apenas são outras realidades.
Imaginamos o espaço, deus, paraíso, fraternidade, lutas sangrentas, sociedades industriais, uma natureza personificada que luta e se vinga... imaginamos e vivemos de acordo com o que estabelecemos como verdades e essas verdades nada mais são aquilo que imaginamos que sejam.
Vivemos socialmente em uma realidade que idealizamos e trabalhamos para que ela se torne verdadeira, mas individualmente vivemos baseados nas informações que os sentidos turvos e confusos nos apresentam. Chegamos a um ponto chocante: “DETESTAMOS A REALIDADE”, queremos fugir dela, queremos que ela seja irreal, que seja uma realidade onde cada um possa alterá-la ao seu bel prazer. Cada sujeito possui seu conjunto de sentidos único, logo a realidade que cada um vive é única, daí que os sonhos de cada um também são únicos, decorre disto a grande dificuldade da existência da paz concreta na sociedade humana. Retire-se a repressão e a coerção dos meios de segurança que toda sociedade se desfaz, se autodestrói.
Os valores e as virtudes sociais são generalizadas, mas cada um as aceita mais ou menos de acordo com a sua interpretação da realidade. O que é evidente, lógico, natural, perfeitamente coerente e adequado para um pode ser algo torpe, sem sentido, desprezível, ilógico para outro. Daí tem-se que não pode haver uma sociedade ordeira sem a educação coercitiva que imponha leis, normas e regras que façam com que um sujeito, mesmo achando natural matar alguém, não o faça por receio de ser condenado e recluso. Por isto sem a coerção e a punição nenhuma sociedade sobrevive.
Vamos doravante divagar sobre este ódio à natureza, ódio à realidade mais próxima da verdadeira realidade. Essa ojeriza à natureza se manifesta em todo o tipo de arte, em todo o tipo de tradição, em toda doutrina religiosa, em toda cultura, em todo sonho, em toda imaginação. Fugir da realidade mais próxima da verdadeira é a droga que nos permite sobreviver em uma realidade insossa, insípida, insensível, instável, agressiva e sem beleza, mesmo que a beleza se manifeste em inúmeros fenômenos naturais (as belezas naturais, assim como tudo neste mundo, perdem seus encantos quando são apreciadas repetidamente).
Mesmo os mais belos fenômenos naturais são perigosos para o homem. Por que então não se deleitar em uma realidade que nos alegre, que nos dê prazer, que seja saudável, gostosa e onde nela se possa realizar todos os desejos? Mesmo não existindo uma realidade assim que possa ser compartilhada; cada um tem a sua realidade imaginada que tem mais valor e representatividade na sua mente e personalidade do que a realidade mais próxima da realidade verdadeira e, inclusive, é mais preponderante do que a realidade que a sociedade difunde como verdadeira.
O cinema é uma clara demonstração de que o que nos diverte e emociona não está na realidade, está na ficção. Mesmo os filmes baseados em fatos reais exageram nos pontos positivos que se deseja destacar e minorizam os pontos negativos que se deseja ocultar ou disfarçar. A música nos filmes existe na vida real? As cores, o tempo chuvoso ou geando, as coincidências mil, tudo isto é forjado para destacar a dinamicidade da história sem causar sonolência ao telescpectador. Já notaram como os caipiras norteamericanos do século XVIII e XIX falam corretamente o inglês? Perceberam como as belas mocinhas dos filmes da idade média, da antiguidade e mesmo até o século XVIII possuem dentições perfeitas, cabelos melhores do que as das modelos atuais?
Quanto belos e românticos beijos em filmes épicos... mas o beijo na boca somente teve início no século XIX (antes não se escovava os dentes, as bocas eram podres... o uso do leque era para esconder o mal hálito e os dentes pretos) . O feio é desvanecido e o belo desejado destacado, assim criamos nas artes em geral a realidade que encanta, agrada e diverte. O mocinho dos filmes sofre, estuda, treina como um desesperado para no final poder vencer o vilão seja ele qual for, mas veja que o vilão não treina, bebe, fuma, se diverte com as mulheres etc., mas no final é ele quem tem a oportunidade de eliminar o mocinho só não o fazendo para não frustrar os telespectadores.
Desenho animado é a arte que mais se destaca quanto à capacidade do homem criar a sua realidade. Gargalhadas em frente à TV, ri-se de tudo, de tudo o que não existe. No desenho é possível cair de um prédio de 30 andares e nada sofrer, é possível ser explodido por bombas e ficar em pedaçinhos e depois se reagrupar e continuar a correr atrás de algum outro personagem. Feitiços, sorte, imortalidade, poder pessoal, tudo isto cativa e diverte porque é num mundo assim que queríamos viver; sem morte, sem dor, onde o bem sempre vence o mal e além de tudo com muito prazer.
Dança. Este é outro ponto onde a imaginação se amplia. Quantos ritmos, quantas danças folclóricas. Alguns poucos se destacam em cada uma delas, poucos levam adiante uma cultura que nada mais tem a ver com a população que dizem representar.
O desafio que sujeita a morte a uma posição de vencida é o que estimula principalmente a juventude e aqueles que, tendo passado da idade insistem em viver uma vida de aventuras incompatível com seus cabelos brancos pintados de negro. Esportes radicais, esqui na neve, alpinismo, asa delta são exemplos. A sensação de vencer a morte estimula porque quanto mais próximo da morte mais se sente que está vivo. A recíproca também é provável: quanto mais vivos achamos que estamos mais próximos do estado de morto nos encontramos.
Literaturas de todos os gêneros divulgam realidades imaginadas. Os leitores se deliciam, se divertem vivendo na imaginação vidas em lugares inimagináveis, mas reais na imaginação tanto do escritor como do leitor.
O que nos permite dominar a nossa realidade imaginada é o que nos apetece. Carros, vídeos games, automotivos em geral, tudo o que pode ampliar nossa capacidade se nos apresenta como um atrativo que nos coloca mais presente na nossa realidade imaginada. Se eu dirijo um super carro ou lancha ou avião, se vôo de asa delta, se pulo de para quedas estou ampliando minha capacidade de me locomover, minha força, meu poder. Essa ampliação de capacidade nos aproxima da nossa realidade imaginada e isto nos dá prazer. O perigo é quando essa realidade imaginada se sobrepõe à realidade mais próxima da verdadeira e com isto temos a ocorrência de inúmeros acidentes devido ao excesso de velocidade, ao desrespeito às leis de trânsito etc.
No vídeo game somos heróis, podemos morrer inúmeras vezes e recomeçar até vencer. Somo poderosos, podemos fazer o que queremos, podemos escravizar, salvar, matar, morrer e ressuscitar o quanto quisermos. Somos alienados na nossa realidade imaginada enquanto nos envolvemos no jogo de modo geral.
Para complicar um pouco mais a situação ainda temos outra realidade: “aquela que queremos que os outros pensem que possuímos”. Nos carros se sente poderoso, forte, invencível, mostra uma posição que muitas vezes não possui. Quantos possuem carros de luxo, mas passam dificuldades financeiras até mesmo para custear uma boa alimentação. Da mesma forma a residência passa a imagem de uma realidade bem ou mal sucedida, financeiramente falando. Quantos se vestem com roupas de grife, mas passam dias sem uma boa refeição. Quantos ostentam jóias falsas na ilusão de que pensem ser verdadeiras e caras. Quantos ostentam anéis de formatura, se intitulam doutores sem ao mesmo terem concluído o ensino médio. Quantos freqüentam lugares da moda simplesmente para chegar perto de pessoas bem sucedidas, famosas e depois sair dizendo e se gabando para os amigos da sua realidade do dia a dia que se encontrara com seu amigo, o artista tal.
As realidades que imaginamos e acreditamos serem verdadeiras são as correntes que nos formam, que estabelecem os valores em que nos posicionamos culturalmente, que nos fornecem regras e costumes que nos levam ao desespero, à morte, e até mesmo a uma consolação.
Imaginamos um deus e ele dá as regras que daríamos caso fôssemos ele, imaginamos um paraíso que nem temos idéia de como seria e uma vida eterna e isto consola muitos que se sentem injustiçados nesta vida temporária aqui neste planeta. Imaginamos como gostaríamos de ser louvados e estabelecemos este pensamento para louvar ao deus que imaginamos. A imaginação se torna real quando determina a conduta do sonhador, quando estabelece com ele um vínculo que não permite mais desonhar.
Somos nosso deus e nosso demônio, somos os criadores que imaginamos e tornamos reais, pelo menos para nós mesmos, mundos e realidades que não existem senão na nossa crença desmedida; nos tornamos escravos de nossa própria realeza, de nossa capacidade de imaginar, de criar. Ao contrário do que acontece na realidade mais próxima do real onde construir é trabalhoso, caro e difícil e destruir é coisa de segundos, na realidade imaginada, construir é coisa de segundos, mas para destruir pode se levar milênios.
Quantas crenças errôneas foram consideradas como verdadeiras por milhares de anos... a terra é plana... a terra é o centro do universo... somos filhos de deus... somos eternos mesmo sem saber o que isto realmente significa em termos práticos... somos predestinados... existimos com um propósito que desconhecemos, mas que existe e é extremamente importante, nem que seja para outrem... tudo isto são coisas reais na imaginação que pouco a pouco vão se auto destruindo à medida em que o homem pára, conhece novas realidades imaginadas, usa um pouco mais a razão ao invés da imaginação, se firma mais na restrita realidade imaginada pela ciência que pouco a pouco vai corrigindo falhas e imaginações incoerentes e infundadas nas quais hoje ainda acredita.
Enfim pode-se dizer que o homem tem futuro porque, paulatinamente a tendência é que essas realidades imaginadas vão se fundindo, se mesclando, e, pouco a pouco vão se tornando uma. Somente a ciência poderá conduzir essa unificação de forma menos errônea, esperemos que ao fim de tantas inter-relações entre as realidades imaginadas se chegue a uma mais favorável para todos os homens sem que com isto se perca a identidade, a individualidade de cada um. Lógico seria que assim fosse, mas não podemos esperar uma realidade única porque simplesmente somos diferentes, ninguém é igual a nada e nem a ninguém e a realidade individual sempre se sobrepõe à realidade imaginada coletiva. Por mais que se sufoque o mundo imaginado e sentido pelo sujeito, a imaginação coletiva não será capaz de extirpar os grandes mundos de cada um.
O mundo se faz fazendo... o caminho se faz caminhando... são ditados que confirmam essa desesperança de um paraíso onde todos vivam bem coletiva e individualmente. Ao fim do caminho de cada um temos um fim. Um ótimo filme é caracterizado assim durante o momento em que é assistido, depois da sessão ele nada mais é do que um ótimo filme..., mas nunca mais será tão bom quando como foi durante a primeira vez em que foi visto... passou! Por isto dá tristeza quando se termina de ler um bom livro..., que pena que acabou
Se se acredita que este fim aconteça quando se dá a morte do corpo biológico assim será, se se acredita que será quando acontecer um julgamento por deus onde se será destruído ou recompensado ou punido eternamente, assim será para quem assim imagina. Porém a natureza não está nem um pouco preocupada com o que se imagina que ela seja, ela simplesmente é e tudo acontecerá como tem que acontecer, tenhamos nós imaginado corretamente ou não. Essa busca pela imaginação mais próxima da verdadeira realidade é o trabalho que os filósofos realizam, seja interrogando a ciência, seja interrogando as tantas realidades imaginadas por grupos culturais distintos. Portanto faça parte desse time: Interrogue!
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