1.3 O Ser Humano é Responsável por seus Atos?
VIRGILIO PEREIRA DOS REIS - 16 08 2011
O sujeito contém as partes biológica e psicológica/mental, ou, também podemos dizer, concreta e abstrata. A parte biológica independe dele porque é herdada. Todos os seus antepassados são responsáveis... menos ele. Ele não controla nem a sua memória que registra tudo o que a ela se apresenta e mesmo os registros mais vivos, fortes, contundentes que marcam às vezes por toda a vida não foram escolhidos, selecionados, foram impostos.
Nem mesmo a capacidade de recordar uma emoção com exatidão se possui; ao se lembrar de um fato a reação a ele dependerá da nossa conjuntura atual, se estamos alegres uma lembrança muito triste passa a ser águas passadas, se estamos tristes, deprimidos, uma lembrança um pouco triste pode ser capaz de levar um sujeito a querer terminar sua própria vida por não suportar tanto sofrimento.
Nossa memória é o palco do mundo criado dentro de nós onde o passado é sempre reconstruído e ressignificado de acordo com as novas informações que a cada instante são recebidas. Vivemos nos mundos externo e interno. O interno está gravado eletromagneticamente e esse campo se torna nossa essência propagada pelo espaço, propagação esta que continuará mesmo após perdermos o corpo biológico.
O mundo interno recebe os impulsos externos comuns, mas os registros ocorrem em um determinado tempo e são associados a outros impulsos que podem ser agradáveis ou não. Algo de bom pode se tornar doloroso se quando registrado foi associado a algo trágico. Por exemplo, um abraço da mamãe é uma boa lembrança, mas se após um grande abraço ela tiver sido atropelada e morta, a lembrança do abraço se associará à perda e passará a ser uma lembrança dolorosa.
Quanto à parte abstrata, eletromagnética, os conhecimentos, exemplos e estímulos construtivos ou destrutivos que o indivíduo recebe dependem da sociedade em geral, da família e de todos os que o cercam no seu dia a dia, assim é fácil concordar que ele não é responsável por nenhum de seus atos, por mais escabrosos que possam parecer perante nossa moral.
Embora constatemos a inimputabilidade da culpa do sujeito não nos passa despercebido que “TODOS OS QUE O CERCARAM E/OU CERCAM SÃO RESPONSÁVEIS” por seu desenvolvimento e formação e, por conseguinte, seus comportamentos e atitudes. Quando um sujeito age contra a sociedade que o produziu demonstra que esta sociedade em questão ainda precisa ser aprimorada.
O interessante é que esse mesmo sujeito, inimputável, é responsável também pela formação de todos e do todo que o circunda. Ele contribui na formação de seus familiares, amigos, colegas e todos os demais seres com quem mantém contato por meio de algum de seus sentidos. Isto se dá porque, geneticamente, cada um trás habilidades ou características próprias que interagem com as habilidades e/ou características dos outros. Assim poderemos aludir que um sujeito não é responsável pelos seus atos, mas é grandemente responsável pelos atos dos outros, do seu próximo.
O mandamento cristão “amar ao próximo como a si mesmo” é bem coerente, veja bem, o próximo é aquele que nos influencia, nos constrói para o melhor ou para o pior, ele é responsável por grande parte de nossos atos assim como somos corresponsáveis pelos atos dele. Se nos relacionarmos com respeito, apreço, afeição e atenção estaremos formando um próximo de melhor conduta que por sua vez melhorará nossa própria conduta e capacidade. Ajudar ao próximo significa na verdade se autoajudar. É fato, porém, já que não é responsável por seus atos, que também não lhe pode ser imputada qualquer culpa pelos atos do próximo.
A sociedade formada pela necessidade de segurança individual não sobrevive, não consegue manter a coesão entre seus membros sem regras que permitam um inter-relacionamento equilibrado entre todos os indivíduos. Houvesse respeito entre todos os seres humanos e nenhuma lei precisaria ser escrita.
Não há respeito espontâneo entre todos e a sociedade precisa sobreviver para a sobrevivência da própria humanidade, assim a responsabilidade de atos que desrespeitam, agridam os membros da sociedade deve ser imputada ao infrator sem considerar o próximo, assim não fosse teríamos que condenar toda a humanidade.
Esta merece condenação, mas é infrutífero sequer cogitar que alguns de seus próprios membros a condenem, primeiramente porque não se tem como escolher, com isenção, aqueles que a condenariam e segundo porque seria uma perda de tempo visto que este deveria ser utilizado mais apropriadamente para aprimorá-la.
Como cada ser vivo possui seu instinto natural de preservação da vida, a sociedade também o possui. Sacrifica-se um para resguardar a segurança de muitos, seguimos a lei da natureza. Bois vão sendo jogados às piranhas para que a boiada sobreviva. A tecnologia não pára de surpreender os leigos no asunto. É possível que reformulações comportamentais possam vir a ser executadas em sujeitos não entrosados com as regras técnicas de uma humanidade una.
É preciso também não esquecer que cada um pode ter participado, direta ou indiretamente, conscientemente ou não, do plano de desconstrução e construção quando estava irmanado na plenitude do conhecimento e, portanto tudo foi previsto; este tema será discorrido no decorrer desse trabalho.
Sabe-se que a sociedade precisa de segurança e que ficaria ameaçada se esta segurança interagisse com uma zona de segurança de um sujeito em desconstrução. As leis, se não são, deveriam ser criadas para o bem comum e não para o bem de uns com uns. Qualquer agressão contra o bem comum deve, caso não seja possível transformá-la em algo que acrescente, que desenvolva, ser colocada em quarentena e isto só pode ser executado se os agressores forem reclusos.
Em termos claros: isolamento em uma prisão. Isto faz parte da natureza, a reação do organismo vivo diante de uma infecção demonstra isto muito bem. Isola e destrói. Nós na teoria isolamos para recuperar, mas na prática fazemos como a natureza.
A humanidade pode ser comparada a uma árvore e cada indivíduo a uma folha, um galho ou um ramo. Não vivemos sem ela e nem ela sem nós, somos matéria concreta e matéria abstrata que permitem uma consciência única que compõe a humanidade como um ser vivo, também único, com todas as suas funções justamente distribuídas entre todos os seus componentes.
A individualidade do sujeito sendo substituída pela individualidade da humanidade nos retribuirá bilhões de vezes mais intensamente as satisfações com que a vida nos seduz.
Vimos que, em termos de matriz biológica, os seres humanos são distintos, cabe acrescentar a exceção referente aos gêmeos verdadeiros que tecnicamente “aparentam” serem iguais, mas a ciência ainda está progredindo nessa área, se nem nosso lado esquerdo é igual simetricamente ao direito é muita pretensão querer afirmar categoricamente que dois indivíduos distintos, por mais clones que sejam, possam ser absolutamente iguais, pode até ser que as matrizes iniciais sejam, entretanto em um micro intervalo de tempo depois eles já serão diferentes porque os seus nutrientes não são idênticos, um não pode se alimentar do mesmo alimento do outro, até o leite materno que a ambos alimenta não é exatamente igual em nutrientes.
São, digamos assim, potencialmente idênticos, mas afirmar isto também é arriscado porque ainda não são conhecidas muitas pequenas particularidades do corpo humano. Como somos diferentes temos respostas diferentes aos estímulos que nos forem impingidos pelo ambiente físico e principalmente às investidas dos demais sujeitos que tentarão absorver nossa zona de segurança. Nasci assim, com essa capacidade e distinção para responder a estímulos; é compreensível então que eu não seja responsável por essas respostas.
Quanto ao desenvolvimento do recém nascido, percebe-se que, à medida que amplia sua zona de segurança, vai crescendo. O que o faz desenvolver é o contato com o ambiente físico e social, ele passa a seguir exemplos, a imitar o que respeita, a imitar as reações de desgosto, de medo, de alegria etc... É um ser totalmente interesseiro e assim passa a se comportar de acordo com seus interesses, bem parecido com o cãozinho de Pavlov, sendo que os adultos é quem são os cãezinhos e a criança o líder.
Isto se dá quando o adulto não impõe regras e limites fazendo-a ver que ela é quem depende dele. Ela exercerá o domínio sobre tudo o que conseguir e enquanto puder; afinal é a lei natural. Filhos que agridem e subjugam os pais, excetuando-se os que possuem problemas mentais, são frutos dessa criação prepotente que não ensinou a respeitar... que não definiu os limites necessários para um bom relacionamento.
Tudo o que é acrescentado como informação ao sujeito interage e provoca reações de acordo com o seu padrão biológico. Com os estímulos que recebe ele não cria nada que biologicamente não esteja capacitado e essa capacidade não lhe pertence por opção, herdou. Todas as respostas e atitudes tomadas pelo sujeito são resultados de combinações de estímulos ambientais sociais com sua capacidade biológica. Se assim acreditamos é compreensível que ninguém seja responsável pelos seus atos, sejam eles quais forem.
Vejamos agora o seguinte: se não somos responsáveis por nossos atos, nossos pais e todos os nossos antepassados que possibilitaram a geração do nosso corpo biológico o são. São também responsáveis por nossos atos todos aqueles que mantiveram qualquer tipo de contato direto conosco, principalmente nossos pais, amigos, professores e colegas de trabalho; consideraremos também os contatos indiretos através dos livros, jornais, revistas, rádio, cinema, televisão e todas as pessoas com as quais nos relacionamos nos esbarrões na rua, nos clubes, em suma todas as pessoas que se posicionam no nosso campo de visão ou de audição de alguma forma nos influencia. Todos eles são responsáveis por meus atos e não eu.
Como contraponto temos que quando me relaciono com outros eu os estou influenciando, assim constato que embora não seja responsável por meus atos sou responsável pelos atos dos outros. Mudo as estruturas em minha zona de segurança de acordo com os estímulos recebidos e, fazendo isto, estou mudando os estímulos que emito para outrem. Assim se sou responsável pelos outros, mas não sou por mim mesmo, minha responsabilidade perante aos outros é apenas culposa, não intencional, e não dolosa.
Da mesma forma que meus antepassados também não tem culpa de terem sido o que foram e terem propiciado minha geração do jeito que é. Se sou magro, gordo, sadio, doente, louco, inteligente, limitado, cego ou não, não importa, sou o que sou biologicamente porque os meus antepassados foram o que foram e ninguém pode ser responsabilizado por ser o que é.
Posicionamo-nos entre o criador e a criatura, ou seja, somos fruto da humanidade e ao mesmo tempo a somos, a construímos. Somos capazes de alterá-la porque ela nos concebeu com a finalidade de realinhar suas forças voltando-as para a formação da unidade e não porque pensamos que temos competência individualizada, inteligência, poder de decisão e vontade e poder para isto.
Estamos no meio deste binário ciclo, podemos ir para o lado positivo ou negativo, ou seja, estamos aptos para ajudar a construir ou a desconstruir. Se raciocinarmos que podemos mudar e fazer da humanidade uma estrutura mais equânime fazemos isto porque nossos corpos biológicos têm essa capacidade e o ambiente nos deu informações que pudemos interagir e assim concluir, não raciocinamos porque queremos, mas porque podemos, porque temos a capacidade material e intelectual e emocional e todas elas nos foram acrescidas, nada surgiu de dentro de nós mesmos, a santíssima trindade, a estabilidade do triângulo respeitada por diversas crenças, é possível que decorra disto: matéria biológica/concreta; matéria abstrata/psíquica e um campo magnético que interage entre os dois formando uma consciência única, resultante dos outros dois; poder-se-ia dizer que nossa consciência seria o conhecimento que dominamos o qual nos permite saber que existimos, que nos transformamos no decorrer da vida terrena, que morreremos para esta humanidade.
Essa consciência é sempre mutante e se adapta às mudanças do corpo físico e às novas informações que nos bombardeiam diuturnamente.
NÃO SOMOS RESPONSÁVEIS POR NOSSOS ATOS! Isto não quer dizer que estamos autorizados a fazer o que bem quisermos, mas sim que devemos fazer aos outros o que queremos que nos façam. Relevar os enganos dos outros para que os nossos também o sejam. Devemos agir como gostaríamos que os todos os outros agissem como estabelece o imperativo categórico kantiano.
O respeito de cada um para com todos é o cume, é o ponto preponderante da civilidade humana. O respeito é um produto espontâneo da razão em nós. Agir moralmente é agir sob o impulso do sentimento de respeito que nos inspira. O respeito é o móbil (motivador – causador - suscitador) na vida moral, mas não é o seu único fundamento. A moralidade nos impõe de maneira absoluta, um imperativo. Todas as coisas na natureza agem segundo as leis, e os seres racionais também, mas estes conhecem previamente suas leis e as fazem porque desejam que elas sejam cumpridas.
Um ser onde razão e vontade fossem um e fosse livre das influências externas, teria por objeto de escolha apenas o que a razão considerasse como bom seria então um deus. Por sua vez o homem, ser finito tem sua vontade atraída por móbiles sensíveis que às vezes estão em desacordo com as leis que visam a harmonizar uma comunidade humana, desta forma as leis se apresentam como uma imposição, um imperativo.
Primeiramente devemos respeitar o próximo, considerá-lo como um igual em quaisquer circunstâncias e depois procurar agir de forma a não agredir, já que ninguém gosta de ser agredido, de ter sua zona de segurança ameaçada. Quando a falta de respeito se manifesta o desrespeitador deve ser afastado para uma reeducação. A sociedade não pode ficar à mercê de pessoas egoístas que não respeitam e não aceitam que o limite de sua zona de segurança termina quando o outro obstrui a entrada em sua zona e você somente pode avançar com autorização para compartilhar e não para dominar.
Se somos “responsáveis” pelos atos dos outros a sociedade deve tomar medidas para preservar as zonas de seguranças individuais, todas elas, se não pela informação, pela coerção.
A coerção exercida pela sociedade obriga cada um a manter-se dentro de seus limites. A expansão das zonas de segurança deve ser obtida pelo aumento de informações teóricas e novas práticas. O conflito deve ser salutar e respeitoso. Território assim conquistado será sempre respeitado. O conquistado pela arbitrariedade se rebelará assim que tiver uma oportunidade.
Não compensa manter um território que exija um domínio diuturno, fica muito oneroso materialmente e/ou mentalmente. Creio ser desnecessário dizer que essas ações da sociedade são respostas naturais que agregam desejos individuais, desejos esses gerados pela situação atual e respostas individuais, respostas essas independentes, não subordinadas ao sujeito.
Nada, exceto o todo, o nosso deus-homem-total existe em si mesmo, um objeto ou ser adquire identidade quando é relacionado a outros seres ou objetos. Até o próprio homem somente se constitui como ser humano quando se relaciona com outros homens. Por isto ele é chamado de ser social. Os seres é que dão existência, realidade ao universo. Eu não existo em mim mesmo e sim nos outros da mesma forma que os outros existem em mim. Só me reconheço quando sou estimulado e a acumulação de estímulos recebidos na memória é uma maneira de garantir minha existência quando os outros não estiverem tão disponíveis assim, mas meus estímulos vieram dos outros.
Existo porque sinto, não apenas porque penso, penso porque sinto e o que sinto não depende de mim e sim do biológico e do abstrato adquirido/construído que me compõem. Nasci quando a fecundação formou meu corpo concreto e eletromagnético. A parte eletromagnética é resultante da concreta e assim que se forma passa a interagir com ela perfazendo um só corpo, é a janela do sujeito para o infinito. O concreto tem seus sensores que captam informações pelos cinco sentidos biológicos e o magnético capta informações pelos sentidos eletromagnéticos.
Perceber fatos nos campos eletromagnéticos dos outros ou interagir com os conhecimentos armazenados na eletricidade dos objetos é a função dos sentidos abstratos. O campo eletromagnético é capaz de inferir e interagir com todo o cosmo espaço e em todos os universos, digo todos porque cada ser vivo tem o seu. Seu campo, mesmo que infinitesimal, está presente em todos os universos.
Não sou responsável pelo que faço, mas sou responsabilizado pelo que tu és!!
O ser humano é uma pequena engrenagem de um todo incomensurável em comparação ante sua pequenez. Quando se aliena ao todo e passa a executar a função que lhe compete deixa de ser um sujeito independente para ser parte de um sujeito maior.
Quando um funcionário de uma empresa cumpre seus deveres com precisão, não falta, não adoece, não cria problemas, não reclama, não discute, não entra em polêmicas ele fica investido do princípio da invisibilidade. Quando falta logo é notado por todos, sua ausência é mais perceptível do que sua presença.
Está entrosado de tal forma que passou a ser uma ferramenta funcional dentro da empresa. Deixa de ser um sujeito com identidade, assume a identidade da empresa, sente que ela lhe pertence e que ela é a sua vida, sente que também pertence a ela.
Da mesma forma um ser humano só existe individualmente consciente e destacado quando entra em conflito com outros. Quando se recusa a ser uma peça, uma engrenagem bem lubrificada, bem ajustada, quando não depõe toda a sua independência na estrutura à que pertence, ele existe porque sente e provoca sentimento, daí vemos que para que a existência ocorra o sujeito deve sentir e também fazer com que outros sintam.
Somente existimos nos outros, sem eles nada teria sentido, não haveria referenciais que nos identificasse como um ser. Se nos privassem do outro com certeza o criaríamos, um pedaço de pau poderia se tornar o João, o outro. Se ele estiver engrenado na estrutura passará despercebido, mesmo que esteja, por dentro, inconformado, sofrendo, ele existe para si mesmo, mas a invisibilidade para os outros terminará por minar sua vitalidade o que o levará a um definhamento progressivo.
Sem o conflito ele pode existir para si, mas por pouco tempo. Para os outros somente existirá quando a sua ausência se apresentar. Daí podemos hipotetizar o porquê do mito de Adão expulso do paraíso: todo homem rejeita a submissão ao sistema natural, se rebela contra a natureza.
Somente com a rebeldia acontece o conflito. Por isso o homem procura se rebelar, contrariar, sabe que é errada a maior parte das coisas que faz, sabe... mas continua fazendo. Se fizer tudo o que sabe que deve fazer ele se alienará na natureza e na sociedade, se integrará nelas e perderá sua individualidade.
Essa perda somente será aceitável quando o sujeito padecer bastante, todo conflito dá a sensação de individualidade, gera emoção, gera uma vida própria para o sujeito. Depois de muito sofrer ele concluirá que se alienar será então a melhor alternativa e ele, conscientemente, aceitará essa nova maneira de viver e durante um determinado tempo ele ficará assim, se recuperando dos atropelos resultantes dos conflitos. Quando estiver totalmente recuperado, saudável, entrará novamente em conflito e readquirirá sua identidade.
Esse ciclo é uma nova maneira de olhar o deus-homem-total com a sua construção e desconstrução.
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